Marrocos - Fevereiro 2010

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Autor Tópico: Marrocos - Fevereiro 2010  (Lida 950 vezes)
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Francisco Sousa
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« em: Maro 13, 2010, 18:51:18 »



No dia 13 de Fevereiro, terminei a minha primeira viagem Nomad’s, isto é, de moto – BMW f650gs - e em autonomia, o destino foi Marrocos. A apadrinhar esta aventura, tive o Antonio Peseiro – Honda África Twin -, grande companhia, durante estes nove dias.

Não vou fazer nenhum grande relato, porque não há muito jeito para a escrita. A reportagem fotográfica vai ser a possível, pois os meus dotes são parcos, e quando me lembrava de tirar fotos, o momento já tinha passado, e noutras ocasiões ficámos sem bateria na máquina. Além disso, fotos de Marrocos há muitas por aqui e, bem melhores.



A etapa zero foi na sexta-feira; sair do trabalho, carregar a moto, e arrancar directo a Tavira. Pelo caminho encontrei-me com o A. Peseiro. Assim, era possível sábado chegar ao ferry o mais cedo possível.

No primeiro dia o nosso objectivo era ambicioso, queríamos chegar a Fèz ou a Meknès. Saímos mais tarde do que o previsto de Tavira, e somando mais uma hora da diferença horária espanhola, acabámos por chegar bem mais tarde a Tarifa. Depois claro, a entrada na fronteira em Marrocos… já eram 16:00 locais, pelo que decidimos avançar até Larache. Os hotéis são poucos, e nenhum com garagem, pelo que tivemos que negociar hotel e um guardian

A mota do A. Peseiro teve um pequeno contratempo; o ecran frontal partiu quando estávamos parados na fronteira a aguardar a entrada, mas com um pouco de fita americana, tudo se resolve.

Nota: Os marroquinos são loucos pela Liga Espanhola.

No segundo dia, saímos bem cedo para tentar recuperar o tempo perdido do dia anterior. Assim, decidimos passar ao largo de Meknès e, já em Fèz optámos por não visitar as tinturarias, que era o que nos levava lá, pois o A. Peseiro já conhecia, e eu já havia visto as de Tètouan, há uns anitos, na primeira viagem a Marrocos.

Assim, seguimos direitos à Floresta dos Cedros, e a Ifrane. Esta cidade é tipo um enclave, um parêntesis na paisagem Marroquina. Parece que entramos por engano num qualquer pais do centro da Europa, numa vila dos Alpes, qualquer coisa assim do estilo, tal a diferença arquitectónica. Como era Domingo, aquilo estava pejado de marroquinos a passear e a fazer piqueniques.

Quanto ao parque da Floresta dos Cedros, o enorme afluxo de pessoas comprometeu o contacto com a fauna local, e assim só A. Peseiro conseguiu ver os macacos. Não sei se é o movimento normal de Domingo, se havia alguma festa local, pois eram muitos os autocarros com excursões. E claro, logo havia uns cavalos para alugar para dar uma volta pelo parque, em troca duns dirham’s!!!



De qualquer forma um local muito bonito, onde gostava de ter andado por algumas pistas, que se viam da estrada. A temperatura era baixa, e logo ali começamos a ter o primeiro contacto com neve.







Depois fomos até Midelt, e dado que o dia tinha sido tão puxado, entendemos ficar num hotel melhorzinho… um Kasbah muito tradicional.



No terceiro dia, esperava-nos um dos objectivos da viagem, a pista do Cirque du Jaffar até Imilchil.

Arrancámos bem cedo, e os primeiros quilómetros foram rolantes, apenas um primeiro percalço com a AT. Parámos para uma foto, e depois a moto não quis arrancar, por certo algum mau contacto na bateria, a verdade é que este problema nunca mais se notou…







Depois a coisa, começa a complicar-se... os trilhos passam a trialeiras, ladeados por precipícios engraçados Shocked… locais completamente inóspitos, ou não! Pois de vez em quando, lá apareciam rebanhos de cabras e os seus pastores.









Aqui, lembrei-me de umas verdascas; uma em Junho pela Serra da Lousã, e uma outra mais recente em Outubro, dos Nomad’s planeada pelo Mikas! Que jeito que deu aqueles treinos!

Em certos locais só passavam motos, nem os quad’s passavam, pois houve queda de pedras, e deslizamentos de terras com as chuvas deste Inverno. A meio da pista, vi o que parecia ser um rodado de um jeep, a atravessar o trilho, mas era impossível dada a inclinação do relevo, mas vi melhor e percebi, dois pedregulhos tinham deslizado por ali abaixo, e parecia ter sido há pouco tempo, pelo que o melhor mesmo era deixar a foto para mais tarde!

No horizonsunlimited apareceu em Janeiro, uma nota a alertar para arame farpado na pista, passámos no local e estava tudo ok. O dito cujo estava lá, mas no sitio certo.

Depois do cascalho, começou a neve, pequenos ribeiros e, por consequência lama! E ao km 50, a tentar sair de um rego, tive o único contacto directo com a pista. A sorte foi ter sido a baixa velocidade, o azar foi que a protecção das mãos empenou com o impacto, pelo que tive de sacar das ferramentas ali mesmo.



O barulho da moto do A. Peseiro quando voltou atrás à minha procura, trouxe uma pastora e, a sua filha, que queriam apenas um comprimido para a dor de cabeça. Como só tínhamos para a Gripe e constipação,  começaram logo a tossir e a espirrar! Em troca tivemos um convite para um chá, mas tivemos que declinar. Não sei se elas ficaram melhor, mas eu senti-me bem, por ajudar. Como apareceram, desapareceram!

Logo a seguir acaba também o rigor da pista, pois o piso começa a estar muito direitinho e a via mais larga. Dá-me ideia que vão alcatroar aquela pista até Imilchil, ainda falta muito trabalho e muitos quilómetros, mas eles andam lá!



Ainda assim, apanhámos mais lama e muita neve, subimos até aos 2.700mts de altitude, pelo menos era o que marcava o nosso GPS.

O almoço foi a meio da pista, preparado pelo A. Peseiro, um chef à maneira Wink... que bom que estava, aquela salada de feijão com atum.



Finda a pista...



...E, em vez de rumar a Imilchil conforme o plano - faltavam apenas 9 km’s - e porque ainda havia mais duas horas de luz natural resolvemos virar direitos às Gargantas do Todra. Paisagens espectaculares, quase tudo em alcatrão, mas com um frio de rachar, e um vento fortíssimo.



Entramos nas Gargantas ainda com Luz, mas à medida que íamos avançando e em tão poucos km’s ficou de noite. A imagem da chegada ao hotel Yasmina vai ficar gravada apenas na memória, pois a bateria da máquina fotográfica já tinha acabado, mas é fantástica! Era suposto ficarmos naquele hotel, caso houvesse vaga e fosse acessível, mas houve alguém com receio da queda de pedras!

Ficámos num hotel mais à frente. Já não me lembro de me deitar tão cedo, tal era a intensidade do dia.

Nota: Evitem dormir ao lado de mesquitas… A primeira oração é muito cedo!!!
« Última modificação: Maro 13, 2010, 23:48:06 por Francisco Sousa » Registado

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« Responder #1 em: Maro 13, 2010, 22:46:20 »

Já está a prometer o relato.... :-))))))
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« Responder #2 em: Maro 14, 2010, 00:19:51 »

Boa história!
Aguardamos por mais pormenores da aventura.
Eu mal posso esperar para me fazer ao caminho.
Logo que tenha oportunidade... Marrocos cá vou eu.
Bons passeios!
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« Responder #3 em: Maro 14, 2010, 10:54:46 »

parabens pela viagem . E as fotos por mais que andem muitas por aí nunca são demais  Roll Eyes obrigado por partilhares conosco essa aventura .
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« Responder #4 em: Maro 15, 2010, 11:17:44 »

ésmpre bom ver fotos de marrocos, grande passeata  Wink
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« Responder #5 em: Maro 15, 2010, 12:31:00 »

Um dejá vu

Excelente

Continuem, fico a aguardar mais

Abraços
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Francisco Sousa
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« Responder #6 em: Maro 15, 2010, 23:24:18 »

O início quarto dia foi marcado pela avaria da BMW, e o fim pela chegada ao deserto.

Saímos do hotel e decidimos ir até às gargantas para rever e fotografar com a luz do dia, até porque estávamos a apenas 5 km, e lá fomos.







A minha moto estava cada vez mais perra, e o travão da frente muito duro. Conclusão; com a queda do dia anterior a protecção das mãos partiu o cabo do travão, e o óleo deixou de ser bombeado, bloqueando a roda da frente. Aqui, valeu a experiencia do A. Peseiro. Retirámos o óleo para a roda ficar livre, mas fiquei sem travão da frente. Só damos valor a certas coisas quando deixamos de as ter! Primeiro que me habituasse a travar só com o de trás…

O que era suposto ser um dia calmo, de poucos quilómetros de ligação, acabou por ser mais longo, pois tentámos encontrar um mecânico em Goulmima e, depois em Errachidia. Uns bons quilómetros a mais para nada, pois não encontrei ninguém com um cabo para substituir no travão da BMW. Ao menos, o caminho valeu pelas belas paisagens, em particular, um palmeiral brutal.



Seguimos então para o nosso destino, Merzouga. Mal avistámos o Erg Chebi, saímos da estrada e começámos logo a andar a azimute. Foram alguns quilómetros muito divertidos.



Depois de encontrarmos um hotel, só tivemos tempo para cumprimentar uns portugueses, (os homens do ACP que andavam a fazer reconhecimentos para o Estoril-Portimão-Marrakech) e sair directos para as dunas!



A minha auto-estima estava em baixo devido à avaria no travão, e os pneus muito cheios (belas desculpas…), pelo que a primeira meia hora foi difícil. Porém, arranjei um trilho, dei três ou quatro voltas para ganhar confiança e para a foto  Roll Eyes Grin. A noite caiu e regressámos ao hotel já com a ajuda do GPS, e de máximos ligados!







Para o A. Peseiro, o deserto é a sua praia. Grande andamento!





Quinto dia; o mais longo. Começou às 5:30 AM. O objectivo era ver o nascer do Sol, nas dunas, e para tal resolvemos trocar de montada.









Depois de um pequeno almoço rápido,



...fomos atestar para sair para a pista Merzuga - Zagora, o mais depressa possível.




Já com uns bons quilómetros, chegámos a uma aldeia, onde nos avisaram pela 3ª vez que a pista estava impossível para os nossos mamutes! Ao que parece existe um pequeno rio de 5km’s (?!) que apesar de seco, está cheio de areia e de fés-fés, e que com o peso que levávamos, tínhamos de subir até encontrar uma passagem pela montanha, onde era mais estreito o leito do rio, e apenas com seixos.

Esta advertência já nos havia sido feita no hotel na noite anterior, mas pensávamos que era só para nos vender o apoio logístico de um jeep. Mas depois foi também na bomba de gasolina, e por fim naquela aldeia remota onde não havia qualquer interesse em dar uma informação errada.

Decidimos voltar para trás, para apanhar Erfoud e então seguir para Ouarzazate. E aqui tomámos a decisão de ir rumo a Erfoud por Azimute. Fantástico!

Uns quilómetros em pista; durante muitos quilómetros nem sequer pista, e muitos em especial uns bons 3/4 quilómetros de areia, com pequenas dunas à mistura, estamos mesmo ao lado do deserto nesta zona de Marrocos. Foram 50 Km’s de grande divertimento, que só acabou nas montanhas à entrada de Erfoud. Aí resolvemos voltar à estrada. De tal forma empolgante que não houve tempo para muitas fotos, apenas de um lago seco que encontramos, e onde deu para enrolar o punho…









Um chá em Erfoud, e depois quase 300 quilómetros até Ouarzazate. Uma das únicas paragens foi para perceber, que raio é que eram aqueles montes de terra seguidos junto à estrada.



Basicamente, são poços feitos de 3 em 3 metros, que serviam de apoio à construção de um túnel subterrâneo para levar agua do sopé das montanhas até aos palmeirais. Esta informação custou dez dirhams!!!!

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« Última modificação: Maro 16, 2010, 23:17:19 por Francisco Sousa » Registado

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« Responder #7 em: Maro 16, 2010, 10:28:06 »

Basicamente, são poços feitos de 3 em 3 metros, que serviam de apoio à construção de um túnel subterrâneo para levar agua do sopé das montanhas até aos palmeirais. Esta informação custou dez dirhams!!!!

Não foi cara... menos de 1 euro.  Wink Estou a gostar do relato! Essas motas avariam, demais, pá!  Cheesy  Grin

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« Responder #8 em: Maro 16, 2010, 12:40:21 »

A pista de erfoud para zagora é muito gira, mas o aviso quie te fizeram é correcto, antes de se chegar ao rio, que como é custume custuma estar seco tens uma zona muito técnica de fesh fesh entre arbusto grandes que para fazer de moto não deve ser nada facil. eu fiz de jipe. essa pista já fez parte de um dakar á uns anos. depois de passar o rio tem umas zonas muito rápidas e volta-se a ter outra zona muito complicada, a subir que talvez seja ainda pior que a primeira.
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« Responder #9 em: Maro 26, 2010, 01:11:17 »

Sexto dia, o último com off-road; começamos a sentir que a viagem está a acabar…

À saída de Ouarzazate fomos ver os famosos estúdios de cinema, nota especial para os cenários montados no meio do nada.





Para os ver a todos dá muito jeito o nosso tipo de motos.



Depois fomos fazer a «Rota dos Kasbahs», e começámos logo em Ait ben Haddou.



Esta está a ser toda restaurada; privilégios de ser Património Mundial, nem sequer as motos podem aproximar-se do leito do rio!





A partir daqui, mais 50 quilómetros em pista com muitas aldeias, e Kasbahs para fotografar, mas em adiantado estado de degradação, em contraste com Ait ben Haddou.





Na pista há muitas obras de alargamento, o que vai beneficiar muito o turismo local e por consequência dá novas perspectivas àquelas populações. Por enquanto complica, pois muitas vezes acontece termos de esperar que acabem alguns trabalhos para podermos passar, existe descargas de terra no meio da pista, etc, etc



A meio da pista existe um miradouro, que para aí chegar tivemos de fazer uma parte do trilho que julgo ser o track no seu estado original, pois não havia quaisquer sinais de obras, e o trilho era muito estreito.



Terminada a pista, encontrámos uma estrada de buracos com alcatrão!!! Chegados ao entroncamento com a estrada principal, parámos para almoçar, mesmo antes de Tizi n'Tichka.



Depois, rumámos a Marrakech por uma estrada de montanha fantástica, são cerca de +/- 30km’s de curvas, e contracurvas, umas a trás das outras, sempre a descer dos 2200 até aos 900 metros de altitude, especialmente os primeiros quilómetros são extraordinários. Para apimentar a coisa, eu só travava com o travão de trás, pois é a minha mota continuava sem travão da frente…



A entrada em Marrakech fica como uma das boas historias desta viagem. Apesar de não termos estadias marcadas tínhamos referências de hotéis em algumas cidades, onde seria previsível pernoitarmos.

Assim, o A. Peseiro foi à frente na entrada na cidade, seleccionou o ponto GPS do hotel e seguimos em modo de azimute. Entrámos por uma grande avenida, e depois chegámos a uma praça cheia de movimento. Começámos a entrar num bairro mais pobre, sem turismo mas com muito movimento; passámos então em ruas um pouco mais apertadas e com um só sentido, e muita confusão.

Resolvi fazer sinal ao A. Peseiro e perguntar se ele tinha a certeza se era por ali, resposta: “Claro que sim, o GPS está a apontar por aqui!”, então vamos continuar…

Quando damos conta, o movimento pedonal aumenta e o trânsito desaparece quase por completo, e mais grave, as ruas são cada vez mais estreitas!!! O comércio destas ruas aumenta, os turistas e os marroquinos começam a olhar para nós com uma ar muito espantado!!!

Faço novamente sinal ao A. Peseiro, desta vez nem foi preciso dizer nada!!!, só ouvi ele a dizer:

- Estamos no meio da Medina!!! mas é por aqui…”

- Não é melhor dar a volta?

- Como?! Não tens espaço para virar as motas!

Agora imaginem a situação com os turistas a tirar fotos à situação, os comerciantes a chamarem-nos nomes – mas em marroquino não faz mal…!- Uma vergonha! Agora, a esta distância acho piada, e até gostava de ter tirado umas fotos para documentar, mas na altura queria sair dali o mais depressa possível.

De repente estamos na praça Jemaa el Fna, são 16:00. Acaba aquela sensação de claustrofobia da Medina, mas a agitação agora é brutal. É gente por todo lado; são vendedores, encantadores de serpente, músicos, folclore, disputas de boxe (sim, leram bem! dois tipos à pêra, e povo todo a ver.) e claro, muitos transeuntes, turistas a solo, grupos de turistas com guias e marroquinos claro, uns a ver, outros a comprar.

A partir daqui e até ao hotel, já fomos pelas avenidas normais da cidade, a única coisa fora do normal é a condução deles, não sei como é que não há mais acidentes, nós só vimos um à noite.

Depois, queria encontrar uma oficina da BMW para arranjar o travão, pois tínhamos ouvido que ia chover no dia seguinte, e por uma questão de segurança era melhor arranjar a mota. A primeira indicação que tivemos era para uma oficina da Audi! Pelo que, resolvemos perguntar, e nem de propósito logo encontramos um polícia com uma mota igual à minha.

Tanto questionou se eu queria mesmo ir ao concessionário, dado o preço que eles cobram (a fama da BMW chega a todo o lado!) que eu acedi à sugestão dele; o mecânico que trata das motas dos policias. Pediu para aguardarmos um bocadinho num café ao lado, pedíssemos um uísque berbere que o amigo demorava 15 minutos.

Sentamo-nos e, começamos a dizer que era para ele ganhar a comissão do mecânico e do tipo do café, Pedimos e, o chá ainda não tinha chegado quando para um tipo de mobilete ao lado da minha mota, com uma caixa de ferramentas e começa logo a experimentar a manete. Lá fomos nós ter com ele, explicámos o que se passava com o travão. Entretanto chega o policia já acompanhado por outro colega, que entretanto tinha chegado; era o empregado do café a levar-nos o chá, quando damos conta já os policias discutiam com o mecânico.

O mecânico queria levar a mota para a oficina porque ali não conseguia arranjar a mota, e o polícia queria que ele fizesse o trabalho ali mesmo. Compreensivos com o mecânico, intervimos em favor dele, dizendo que íamos de boa vontade à oficina, pois ele ia ter material e as ferramentas à mão, e lá fomos.

Chegámos, pediu-nos para aguardar 2 minutos e desapareceu entre os prédios. Logo apareceu com dois cabos para o travão, nenhum deles dava, voltou a desaparecer e quando regressou tinha mais dois para experimentar, um deles era de malha de aço! Claro, que todos eram usados mas com um paninho molhado, rapidamente ficou como novo. Foi colocado o cabo, o óleo dos travões, sangrou-se o sistema tudo de uma forma surpreendentemente eficiente, tendo em conta o aspecto do espaço.


 
Fiquei muito agradado e recomendo a quem precisar de alguma coisa em Marrakech, tenho o ponto de GPS se entenderem que devo publicar.

Mas para surpresa nossa quando perguntei o preço: Rien! Isso mesmo, zero, não podia levar nada, nem mão de obra, nem material, porquê? Não sei. Mas calculo que tenha a haver com o polícia. Eu penitencio-me por ter pensado que ele queria, a comissãozinha dele…

O sétimo dia era para regressar, directo até Tanger e ainda apanhar o ferry, e conseguimos!! Registo para uma despedida molhada, pois os últimos 50km’s em Marrocos foram com chuva.

Ultimas horas em Marrocos, à espera do barco.



Dormimos já em Espanha, num hotel junto à praia.



O oitavo dia era para chegar a casa. Eu fiquei um pouco mais a Sul, em Tavira e o A. Peseiro regressou a Coruche.

Foi sem duvida uma excelente experiência. Percorremos cerca de 4.000km em poucos dias. Foi duro mas tenho a consciência que se estivesse a chover teria sido mais difícil fazer algumas partes das pistas percorridas. Na semana a seguir a chuva foi tanta que, em Fez caiu um minarete.

Gostava também de ter feito mais pistas e menos alcatrão, mas é com a experiencia que aprendemos, e na próxima tenho que corrigir pequenos detalhes.

A mota portou-se muito bem, e para uma monocilíndrica a viagem foi suficientemente confortável, os consumos fantásticos. Houve um dia que gastou 3,75 L/100. Boa nota para o Henrique na preparação da mota.

Planos para uma próxima? Não há! Mas destinos não faltam, uns para o médio prazo, outros para o longo, longo prazo! No curto prazo, talvez a Europa por alcatrão a dois.
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« Responder #10 em: Maro 29, 2010, 13:17:48 »

relato fantastico, muitos parabens.

Essas paisagens fazem-me sonhar, um dia sou eu por aqueles lados Grin
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« Responder #11 em: Maro 29, 2010, 17:29:27 »

Essas paisagens fazem-me sonhar, um dia sou eu por aqueles lados Grin

Logo que tenha oportunidade... Marrocos cá vou eu.
 

Meus caros,

Se tiverem uma oportunidade não hesitem, se não tiverem… Criem uma, mas não deixem de ir, não se refugiem em desculpas do tipo Roll Eyes; quando tiver uma mota melhor ou é muito caro, e tal…



A pista de erfoud para zagora é muito gira, mas o aviso quie te fizeram é correcto, antes de se chegar ao rio, que como é custume custuma estar seco tens uma zona muito técnica de fesh fesh entre arbusto grandes que para fazer de moto não deve ser nada facil. eu fiz de jipe. essa pista já fez parte de um dakar á uns anos. depois de passar o rio tem umas zonas muito rápidas e volta-se a ter outra zona muito complicada, a subir que talvez seja ainda pior que a primeira.

Obrigado pelo conforto, Luis! Embarrassed  Ficamos sempre na dúvida se nos estavam a tentar impingir um guia, ou se era mesmo difícil a pista Undecided. No entanto, e se voltar aquela zona com mais tempo, tenho de a fazer, nem que demore 2 ou 3 dias! Angry

Por fim, agradecer ao Luis Salta Silva a ajuda na edição deste tópico. Wink
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« Responder #12 em: Abril 16, 2010, 16:19:59 »

Francisco o relato está fixe ... tens jeito  Grin

A rapaziada dos Nomad's deixo uma nota :

**** o Francisco está entre aquela meia duzia de  pessoas que eu ia para qualquer lugar no Mundo ****

Temos que combinar outras voltinhas  Wink
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Um Abraço
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« Responder #13 em: Abril 18, 2010, 22:05:32 »


É esta a estação de combustível perto de Merzouga?
este é o lugar onde temos de combustível:)
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« Responder #14 em: Abril 19, 2010, 21:43:13 »

Yes, esta é a mais perto, fica na Vila  Grin só tem um problema ... como não tem mangueira também não dispara e pode entornar  Cheesy
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